quarta-feira, 21 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Amém

Acredito eu que o certo e o errado serão temas eternamente relativos. Por mais que tentemos justificá-los, tentemos exemplificá-los, tentemos aplicá-los, nenhuma verdade é absoluta e não temos mais nem ao menos a liberdade de confiar na própria sombra. A verdade é extremamente relativa, porque cada um tem a sua. Segundo alguns pensadores iluministas, os homens dependem da sociedade pra viverem em harmonia. Convenhamos que apesar de toda a desgraça que supostamente a sociedade instalou, essa afirmação não é de toda descartável. Pelo contrário. Cada homem tem a sua verdade, tem a sua razão, tem seu objetivo e seus limites. Cada homem vive uma vida sozinho. Por mais que esteja na estação da Luz em pleno horário de pico, a sua realidade é só sua, seu ideal é exclusivamente seu, e não há barreira na natureza humana que nos impeça de passar por cima de tudo e todos pra chegar onde quisermos.
Os homens inventaram Deus pra que partindo daí pudesse surgir a harmonia, os líderes e a sociedade. Os religiosos rotulados que me perdoem, mas de fato foi o homem quem criou e idealizou a figura divina, e sejamos realistas pra encarar esse fato. Acredito também, que subliminarmente, foi Ele quem implantou essa idéia genial e de fato sobrenatural na cabeça dos homens, enquanto estes evoluíam com o tempo e descobriam o quanto podiam ser excepcionais. Eu sou plenamente crente no poder e na existência divina, mas enquanto a ciência não explica, temos a liberdade de viajar em nossas fantasias e alienações, então que a aproveitemos antes que se vá.
Continuando... Alguns homens criaram Deus, para que os demais temessem-no, e ensinaram-lhes o que fazer e como fazer. Pregaram os dez mandamentos, e propagaram que roubar, matar e invejar era pecado. Que deveríamos amar a algo ou alguém que não conhecíamos mais do que a nossos pais, e que qualquer escorregão pra fora dessas normas, resultaria num castigo que só à divindade caberia executar. Por mais que fosse um regime extremamente rigoroso e feliz ou infelizmente não mais aplicável a sociedade atual, era claro e objetivo. Olho por olho, dente por dente, foi o que reinou posteriormente. E propaga-se a violência! O grande problema é que com o tempo, os homens aprenderam também que Deus não apenas castigava, mas que perdoava. E com mais um pouco de décadas, aprenderam que além de perdoar, Deus não castigava, e sim ensinava. Por que temer alguém que ama seus filhos independente do que sejam? Por que temer alguém, que faça o que fizer, vai me conceder o perdão? Bem mais fácil ouvir o instinto selvagem do homem do que seguir o raciocínio lógico e um pouco de uma emoção saudável. Os homens perderam o medo de Deus. Isso deveria ser um avanço, pra mim, de fato é. Mas infelizmente as pessoas precisam temer para que deixem sua mente falar, pra que o certo e o errado aflorem claramente dentro de si mesmas, pra que acreditem na vida. Falta fé no mundo.
Aprendemos enquanto crianças o que é certo, e o que é errado. Nossos pais em geral se baseiam nos dez mandamentos que a sociedade lhes expôs para educar-nos. Ensinam que mentir é feio, que violência é ruim para nós (exceto quando parte deles, por ironia), que comer verdura faz bem, que a gente não deve pegar o que não é nosso, que devemos obedecer nossos pais e rezar antes de dormir. Mas os homens crescem, e a vida de verdade lhes mostra outra coisa. Mostra que os homens são ruins, e que gostam mais de agressividade do que de verdura, e que, aliás, comer verdura só os fará viver mais, e por que é que sentiriam vontade de viver mais numa realidade tão decadente? Faz com que tenham a impressão de que seus pais lhes enganaram durante toda a juventude, e que fizeram com que perdessem sua melhor parte da vida por um monte de baboseiras. São uns babacas. É o que por fim concluem. A realidade mostra que tomar dos outros é mais fácil do que lutar pra conseguir, e que rezar por todos aqueles anos não adiantou de nada. Não culpo os ateus, nem os mal-humorados e desonestos por terem um certo desvio de caráter. Também não culpo seus pais. Culpo a todos nós, inclusive os conscientes da calamidade que se encontra a sociedade em que vivemos, porque em geral estamos preocupados demais com nosso umbigo pra dar auxílio a quem não tem a mesma experiência que nós.
As pessoas sabem o que é certo. Todas elas. Mas em geral, acreditam que o certo não vale à pena. Descobriram que o errado é mais fácil, e que ser egoísta de vez em quando não tem problema. Mesmo que esse de vez em quando se estenda por dias e dias consecutivos. As pessoas perderam a fé na vida. Todos nós, a cada dia de indiferença temos deixado o mundo se afogar num mar negro sem fim, e todos temos certeza de que não vão esquecer de puxar o nosso pé pra que decaiamos juntos.
Eu ainda prefiro acreditar em Deus. Prefiro acreditar que a vida é boa, e que os homens sabem ser bons tanto quanto sabem ser individualistas e cruéis. Prefiro pensar que nem tudo está perdido, e que lutar pelo que eu ainda acredito que vale sim, muito a pena!
Vou deitar na minha cama essa noite, e rezar pra que Deus nos ajude a salvar a humanidade, e pra que pessoas apaixonadas pela vida e radiantes de esperança, tenham paciência pra ler esse extenso conjunto de palavras e se juntem a mim, pra que acreditemos no amanhã!


Amém.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Espontanea idade

Espontâneo segundo o dicionário quer dizer o que se faz voluntariamente, naturalmente, e sem causa aparente. Essa é uma característica que nasce conosco. Quando crianças, a nossa espontaneidade fazia rir, aprontar, divertir, e também resulta em algumas palmadas. Mas hoje, enquanto paro pra me dar conta da situação da sociedade e de como as coisas andam correndo lá fora, vejo que falta toda aquela magia que nasceu conosco, mas que deixamos que fosse embora com os enfeites de personagens animados e as velas de aniversário coloridas. Falta espontaneidade no mundo. Na verdade, no mundo não. Porque o mundo adora fazer o que bem entende, a hora que dá na telha. Adora desmoronar barrancos, fazer tremer cidades, adora enchentes e ondas gigantes de surpresa. Adora lava. Adora tudo que a gente não adora, mas não lhe falta a espontaneidade que falta nos homens.
Eu não sou espontânea. Queria poder dizer que sim, mas não sou. Cada passo que dou é friamente calculado e premeditado. Cada palavra que eu digo é devidamente pré-analisada. E isso tira um pouco a magia dos momentos. Eu encaro esse fato como algo se a pensar, assim como todas as outras coisas que faço ou deixo de fazer. A falta de espontaneidade faz com que dependamos mais dos outros, com que tenhamos mais dificuldade de adaptação a pessoas e ambientes, ela faz a rotina virar um tédio, muitas vezes. Como a gente vive analisando e estudando cada palavra que sai da nossa boca? Admito que esse fator já me livrou de muitas e boas, mas com certeza tem seus agravantes: as piadas nunca são engraças, eu nunca pareço nem me sinto tão sincera quanto gostaria, minhas respostas são sempre demoradas, quando precisa-se pensar rápido os argumentos nunca tem a mesma qualidade do que normalmente teriam; as pessoas em geral esperam por receber para depois pensar em dar. É como ir contra a lei da gravidade, é um egoísmo característico da falta de espontaneidade.
Egoísta, sem graça, mero mortal e distante da minha espontanea idade. Uma triste definição pra alguém tão jovem. Mas é a realidade da maioria de nós... É fato.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Martha Medeiros

Alguns de seus melhores trechos...


"Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas dessa tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo."

Felicidade realista (Montanha-Russa - crônicas)



" O desejo é um leão. Selvagem, carnívoro, brutal. Não permite acomodação: nos faz farejar, caçar, brigar pelo nosso sustento emocional. O desejo nos transpassa, nos rouba o sono, confunde o pensamento lógico. O desejo corrompe nosso bom comportamento, faz pouco caso da nossa índole irretocável. O desejo não tem pátria nem família, o desejo não tem hora nem tem verbo, o desejo ruge, nosso corpo é a sua jaula."

Desejo e solidão (Montanha-Russa - crônicas)


"Clarice Lispector e Fernando Sabino foram amigos íntimos e trocaram muitas cartas no início da carreira de ambos. Em uma dessas cartas, enviada de Berna, onde morava, Clarice escreveu para Sabino: Falta demônio nessa cidade.
Falta demônio em toda a Suíça. Falta demônio em muitos lugares. Não falta no Brasl, e talvez seja esta a explicação para o encantamento que o país provoca em estrangeiros e nativos: é o feitiço da irreverência.
(...) Há demônio no rock, em todas as bandas.
Há demônio no vinho, falta no clericot. Há demônio no jeans, falta no linho. Há demônio nas fotos preto e branco.
Há demônio no cinema, não há na televisão. Há demônio em livros, não há em revistas. Há demônio em Picasso, Almodóvar, Wagner, Janis Joplin. Há demônio na chuva mais do que no sol, há demônio no humor e na ironia, nenhum no pastelão.
Não há demônio em bichos e crianças. Volto atrás sobre crianças. Em algumas há, mas somente nas muito especiais. As outras pensam que são espertas, mas são apenas mal-educadas.
Na poesia há sempre demônio. Na boa poesia, na poesia marginal, na poesia de amor. Paixão é quando o demônio está nu. Sexo com quem se ama é muito mais que satânico, não precisa ser um amor pra sempre, pode ser um amor de repente, qulquer amor que inferniza.
Coca-cola tem mais demônio que guaraná. A inteligência tem mais demônio que a simpatia. A vida tem mais demônio que a morte. Filosofia, psicanálise, beijo, aventura, silêncio. Um minuto de silêncio. O pensamento é o demo.
O Oriente tem. Manhattan tem. Berna não tem, como tudo que é neutro."

Falta demônio (Montanha-Russa - crônicas)



"Dizem que a preferência nacional mudou: agora o mulherio tem que se preocupar em colocar dentro do sutiã dois exocets que podem até matar, com um movimento brusco, um homem descuidado. Tá legal, estou dando uma de despeitada, mas é que acho engraçado o seio feminino ter entrado na moda como se fosse uma pulseira de miçangas: virou mais um acessório de verão.
Desde que começou essa patrulha pelo corpo perfeito, as mulheres não fazem outra coisa a não ser pensar em suas bundas e peitos, como se isso bastasse para dar a elas passe livre no mundo das lindas. No entanto, o corpo humano é feito de pedaços, outros recantos que são tão ou mais importantes que os objetos do desejo consagrados pela opinião pública. A mulher destaca-se no que imperceptível.
Tornozelos, por exemplo. Que mulher vai marcar consulta no Pitanguy para afinar seu tornozelo? Pois deveria. Tornozelo grosso é o nosso inimigo número 1. Não há sandália Gucci que disfarce. A mulher fica com o passo do elefantinho. Duas toras acabam com a graça de qualquer caminhar.
(...) Postura. Costas retas e queixo erguido. Básico do básico. Corrige-se em casa mesmo. Mulheres corcundas dão a impressão de carregarem o mundo nas costas (...) Dentes. Visitas periódicas ao dentista, escovação no mínimo três vezes ao dias e fio dental aonde ele deve ser usado (...) Cabelos. (...) cabelo reina. Podemos ter sobrancelha rala, orelhas de abano e olhar levemente estrábico, o nariz adunco: com um cabelo bem-tratado, o resto é coadjuvação.
Não há nada de errado em lipoaspirar culotes e encomendar seios novos na clínica da esquina, mas que não se faça isso apenas por impulso do erotismo. Mulher não é boneca inflável, não foi feita só para o sexo. Vai parecer insanidade, e talvez seja, mas acho que ser elegante vale mais do que ser gostosa: todas temos no próprio corpo algo que é clássico e é nosso. É só valorizar e lançar como tendência para o próximo verão."


A beleza que não se repara (Montanha-Russa - crônicas)




[continua]

Nublado, gotas e tristeza.

Há uma boa quantidade de minutos estou parada em frente essa tela me perguntando sobre o que escrever. Ontem, tive idéias incríveis, mas que se foram da minha mente carregadas pela chuva. O assunto na verdade é sempre um grande problema. Acontece tanta coisa no mundo enquanto os milésimos de segundo correm no relógio, dentro e fora das pessoas, que os assuntos tornam-se infinitos. Porém, em dias de chuva como esse, tornam-se também extremamente vagos, e sem magia.
Hoje, eu poderia escrever sobre problemas, e tristeza. A coisa mais comum nas pessoas em dias de chuva. Poderia escrever palavras de conforto e força, pra determinados amigos que precisam de uma mão pra lhes erguer do chão após uma queda, e trazê-los para a vida e para a realidade novamente. Eu poderia falar da minha monótona e desagradável (aos olhos alheios) vida, na qual me dei conta no dia de hoje, que levantei pela manhã, comi um pedaço de pão puro, tomei um café frio e nem abri as cortinas pra ver como estava o tempo lá fora. Pior que vida de presidiário, aparentemente. Mas esse é um tema no qual eu me auto julgaria, e isso é desagradável em dias de chuva, então seguimos para o próximo. Eu poderia escrever sobre como sou e estou feliz mesmo vivendo enrolada em cobertores, dopada de remédios para dores menstruais, com um de meus livros favoritos. Mas isso seria injusto para com as primeiras pessoas citadas, porque já tive dias e momentos como os delas. Eu poderia falar sobre a conversa séria que tive com a minha irmã essa madrugada, enquanto eu tentava ler e ela insistia em dividir comigo a sua maior revolta: por que cabeleireiros em geral não entendem o significado do termo UM DEDO? Isso de fato seria um tema extremamente polêmico, porque todas as mulheres (e uma boa quantidade de homens também) do mundo já saíram carecas de salões e barbearias porque aparentemente o especialista na área não entende o significado de "um dedo". Por mais que o tamanho do dedo seja relativo, um dedo é um dedo, e ponto.
Mas em meio a tanto assunto que poderiam (ou não) serem dissertados por horas, eu optei por escrever pelo fator que enfatiza todas essas dores: a chuva. Chuva, peço que caia de vagar. Molhe esse povo de alegria, para nunca mais chorar!

sábado, 10 de julho de 2010

Parceiro é parceiro, sempre.




Fernando diz:
*modelo
*dançarina
*técnica em alimentos
*estudante
*reggaeira
*brother
*vc é igual bom bril
*1001 utilidades